Nesta noite, quando o véu entre os mundos se torna mais tênue, conto a história de um amor que nem a morte pôde apagar.
Há muito tempo, uma jovem camponesa foi prometida em casamento a um homem que não amava: um acordo entre famílias, selado por conveniência e poder. Seu único refúgio era uma árvore antiga no coração da floresta.
Foi lá que conheceu um estranho de olhos escuros, surgido como se o destino o tivesse invocado. A princípio, ela se irritou, pois ele havia profanado o único espaço onde se sentia livre. Mas com o passar dos dias, entre olhares desconfiados e conversas roubadas ao vento, o que nasceu da desconfiança logo se transformou em amizade e, depois, em amor.
Amor que desafia tempo, sangue e morte.
Em uma dessas noites, ele revelou a verdade: não era apenas um homem, mas um vampiro condenado à eternidade. Ela poderia ter se afastado, mas escolheu amá-lo mesmo assim, com o coração inteiro e sem reservas. O vampiro havia encontrado nela algo que nem o tempo podia consumir.
Movidos por uma paixão ardente, planejaram fugir. O sinal seria uma vela acesa dentro de uma abóbora, colocada na janela da cabana da camponesa.
Mas havia alguém ouvindo às escondidas.
A irmã da camponesa, consumida por inveja e paixão silenciosa pelo noivo da irmã, entregou o plano. E o noivo, furioso por orgulho ferido, tramou a vingança: na tarde do encontro, ofereceu à jovem um vinho envenenado, disfarçado de brinde.
Ela partiu rumo à árvore. Chegou ao local do encontro, mas antes que pudesse ver o amado, o veneno queimou em seu ventre, e seu corpo tombou aos pés da raiz, onde haviam prometido recomeçar.
E o estranho? Ah... chegou tarde demais. Quando viu o corpo dela, soltou um grito que assustou os corvos e quebrou o silêncio da floresta.
Ele a enterrou ali mesmo, sob a árvore que guardava seus segredos, e ali ficou. Os aldeões diziam que um grande morcego negro sobrevoava o túmulo ao cair da noite, guardando a alma da camponesa como um sentinela silencioso.
E é aqui que eu entro, como a Guardiã da Floresta. A cada Halloween, acendo a vela dentro da abóbora, como dita o antigo feitiço. Quando sua chama toca o chão sagrado, o portal se abre. Por uma única noite, o fantasma da camponesa e o vampiro guardião se encontram de novo.
Eles dançam. Conversam. Amam.
E então, quando a vela se apaga, tudo volta ao silêncio.
Então, se um dia cruzar com uma chama solitária na floresta, respeite seu silêncio. Algumas histórias são mais antigas que o tempo. Alguns amores, mais fortes que a morte.
