Todos os anos o outono chega trazendo colheitas generosas para a floresta. As árvores deixam cair suas folhas trilhando os caminhos de laranja, dourado e vermelho. Os cogumelos surgem entre as raízes antigas e o ar fresco anuncia que o inverno logo virá.
Todos adoravam o aconchego do outono. Ler um bom livro, beber algo quente e observar a chuva cair.
Mas este ano, os seres da floresta decidiram celebrar de uma forma diferente.
Antes que o frio os obrigue a se recolher em suas tocas, casas e troncos ocos, eles decidiram aproveitar juntos os dias de outono organizando uma grande caça ao tesouro pela floresta.
Tudo começa na pequena cabana escondida no coração da floresta, onde vive a guardiã. É ela quem reúne todos e entrega a primeira pista:
"Procurem onde uma semente virou lar,
e pequenas mãos começam a trabalhar.
Entre cascas e nozes no chão do carvalho,
vive quem transforma a floresta em arte e trabalho."
Todos logo se animam com a primeira pista e sabem exatamente onde ela leva, até uma curiosa oficina construída dentro de uma enorme bolota. Ali trabalha **Sr. Avelino Casquinha**, um habilidoso esquilo artesão que passa seus dias esculpindo joias e pequenos artefatos feitos de nozes e sementes da floresta. Ao receber os visitantes, ele sorri e os recebe de forma calorosa, e então entrega a próxima pista:
"Sigam onde o outono pinta o chão de dourado,
e frutos redondos crescem lado a lado.
Quem cultiva o sol que na terra nasceu
guarda a próxima pista que o caminho prometeu."
Seguindo a pista, o grupo chega a uma clareira repleta de abóboras. Ali está a taverna de Marcus Abobral, o fauno mestre cervejeiro da floresta. Sempre alegre e cercado por suas criações, ele oferece uma pista curiosa: algumas folhas de bordo e carvalho misturadas e uma frase que parece não fazer muito sentido no início.
"Quando a chuva cair e o vento soprar,
procurem a árvore que histórias sabe guardar.
Entre folhas antigas e raízes no chão,
vive quem protege a memória da estação."
Somente depois de algum tempo alguém percebe a folha de carvalho entre as outras. E então todos entendem. A pista os leva até o lugar mais antigo da floresta: uma biblioteca construída dentro do tronco de um gigantesco carvalho.
Lá vive Erutan, a dríade guardiã da árvore e de todas as histórias que ela abriga.
Ao chegarem, Erutan os recebe com chá quente e lhes dá a pista final:
"Quando a chuva inesperada chegar,
os caçadores devem esperar.
Folhas caídas começam a bailar,
e o mapa do tesouro irá se revelar."
Todos ficam confusos; ainda não chovia, mas a dríade mal termina de dar a pista e a chuva inesperada começa a cair lá fora. Os visitantes entendem e se acomodam em poltronas antigas, folheiam livros esquecidos e aguardam enquanto a chuva dança sobre as folhas.
Cerca de meia hora depois, quando saem da biblioteca, percebem algo curioso: o chão da floresta está coberto por folhas recém-caídas formando um desenho delicado. É um mapa.
Seguindo o desenho feito pela própria floresta, eles chegam a uma pequena clareira escondida entre árvores antigas. Ali, entre musgo, folhas douradas e raízes antigas, encontram finalmente o tesouro.
Não são moedas ou joias. São pequenos presentes da própria floresta: bolotas, folhas, nozes e mini abóboras, guardando dentro de si os aromas e as memórias do outono que foram criadas durante a caçada.
Pequenos tesouros para lembrar que algumas das melhores descobertas estão escondidas nos caminhos mais simples da floresta, mostrando que o valor está na jornada, e não apenas no destino.
